A única
Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica
Bíblica e historicamente, Jesus Cristo
escolheu um só Colégio Apostólico e fundou
uma só e única Igreja sobre São Pedra e os
Apóstolos, e isso aconteceu há cerca de
2.000 anos, lá na Palestina, por volta do
ano 30 da nossa era.
Como então, não só no passado mas também nos
dias de hoje encontramos tantas igrejas e
seitas que se dizem de Cristo e, no entanto,
pregam doutrinas divergentes e até
conflitantes?
Nesta babel de igrejas e seitas, onde está
estruturada e visível a Igreja genuína de
Jesus, a "Igreja de Deus Vivo" que é "coluna
e sustentáculo da verdade"? (cf. 1 Tm 3,15).
RESPOSTA
A resposta é, e será sempre, um ato de fé:
"Creio na Igreja Católica", do Símbolo
Apostólico. Ato de fé que repetimos no
Símbolo de Nicéia e Constantinopla: "Creio
na Igreja, una, santa, católica e
apostólica".
"A única Igreja de Cristo ... , constituída
e organizada neste mundo como uma sociedade,
subsiste na Igreja Católica governada pelo
sucessor de Pedra e pelos Bispos em comunhão
com ele, embora fora de sua visível
estrutura se encontrem vários elementos de
santificação e verdade. Estes elementos,
como dons próprios da Igreja de Cristo,
impelem à unidade católica" (cf. LG, n. 21).
Há, pois, "uma única subsistência da
verdadeira Igreja, enquanto que fora de sua
visível estrutura existem somente ele¬mentos
da Igreja", (1) ou seja: "parcelas de
cristianismo que as várias corporações ou
pessoas herdaram de algum modo da única
Igreja verdadeira".(2)
"Os católicos têm o dever de professar que,
por misericordioso dom divino, pertencem à
Igreja que Cristo fundou e que é dirigida
pelos sucessores de Pedro e demais
Apóstolos, nos quais persiste íntegra e viva
a primigênia instituição e a doutrina da
comunidade apostólica e o patrimônio perene
da verdade e a santidade da mesma Igreja."
Por isso não é lícito aos fiéis imaginar que
a Igreja de Cristo seja simplesmente um
conjunto - sem dúvida dividido, apesar de
conservar ainda alguma unidade - de igrejas
e comuni¬dades eclesiais (separadas); e de
maneira alguma são livres para opinar que a
Igreja de Cristo não existe mais hoje em
lugar nenhum, de forma que se deva
considerá-Ia como uma meta a ser procurada
por todas as igrejas e comunidades
(separadas).(3)
Necessidade da Igreja para a salvação
"O Santo Sínodo ... apoiado na Sagrada
Escritura e na Tradição ensina que esta
Igreja peregrina é necessária para a
salvação. O único Mediador e o caminho da
salvação é Cristo, que se torna presente no
seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém,
inculcando com palavras expressas a
necessidade da fé e do batismo (cf. Mt
16,16; Jo 3,5), ao mesmo tempo confirmou a
necessidade da Igreja, na qual os homens
entram pelo batismo como por uma porta.
Por isso não podem salvar-se aqueles que,
sabendo que a Igreja Católica foi fundada
por Deus através de Jesus Cristo como
instituição necessária, apesar disto não
quiserem nela entrar ou nela perseverar...
Aqueles, porém, que sem culpa ignoram o
Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam
a Deus com coração sincero e tentam, sob o
influxo da graça, cumprir por obras a sua
vontade, conhecida através dos ditames da
com,¬ciência, podem conseguir a salvação
eterna. (4)
Os escritores dos primeiros séculos nos
falam da Igreja Católica como sendo a
verdadeira Igreja, no meio de tantas seitas
da época:
São Clemente de Alexandria, 2° século,
Stromata, 1.7, capo 15:
" ... Só há uma Igreja antiga e é a Igreja
Católica; das heresias umas se chamam pelo
nome dos homens que as fundaram:
Valentino, Marcião, Basílides etc.; outras,
pelo lugar donde vieram, como os peráticos;
outras do povo, como a heresia dos frígios;
outras de alguma operação: encratistas;
outras dos seus próprios ensinamentos:
docetas, hematistas."
Firmiliano, 3° século, Epístola 14:
"Há uma só esposa de Cristo, que é a Igreja
Católica."
Lactâncio, 3° século, 1.4, cap. 3:
"Só a Igreja Católica é que conserva o
verdadeiro culto.
Esta é a fonte da Verdade; este é o
domicílio da fé, o templo de Deus."
São Cirilo de Jerusalém, 4° século,
Instr. Cat. C. 18, n. 26:
"Se algum dia peregrinares pelas cidades,
não indagues simplesmente onde está a casa
do Senhor, porque também outras seitas ... e
as heresias querem coonestar com o nome de
casas do Senhor suas espeluncas; nem
perguntes simplesmente onde está a Igreja,
mas onde está a Igreja Católica; este é o
nome próprio desta santa mãe de todos nós,
que também é a esposa de Nosso Senhor Jesus
Cristo."
Santo Agostinho, + 430, Vera Religio,
capo 7, n. 12:
"Deve ser seguida por nós aquela religião
cristã, a comunhão daquela Igreja que é
católica e católica é chamada não só pelos
seus, mas também pelos inimigos."
A Igreja Católica tem história, cerca de
2.000 anos de existência; tem raízes
bíblicas e da tradição; tem patrística; tem
arqueologia; tem a sucessão de 265 Papas,
desde Simão Pedro a João Paulo lI; tem o
testemunho de milhares de Mártires e Santos;
tem os Símbolos da fé e os 21 Concílios
Ecumênicos em seu favor; tem as aparições
espetaculares da Virgem Maria, Mãe da
Igreja, com grandes sinais que as
acompanham; e, sobretudo, Jesus, em pessoa,
foi o fundador da Igreja Católica.
As demais igrejas e seitas cristãs, do
passado e da atualidade, ou se separaram da
verdadeira Igreja Católica pelo Cisma, sob a
liderança de bispos que se opuseram ao
Sucessor de São Pedro, ou surgiram por
iniciativa de pastores humanos, iludidos por
erros doutrinários.
A respeito dessa difusão de seitas e igrejas
à margem da Igreja Católica, já nos previne
a Sagrada Escritura ao dizer:
"Levantar-se-ão muitos falsos profetas e
seduzirão a muitos" (Mt 24,11).
"Assim como houve entre o povo falsos
profetas, assim haverá entre vós falsos
doutores, que introduzirão disfarçadamente
seitas perniciosas" (cf. 2Pd 2, 1- 3).
"Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho
sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu
bispos para pastorear a Igreja de Deus, que
ele adquiriu com o seu próprio sangue. Sei
que, depois da minha partida,
introduzir-se-ão entre vós lobos cruéis que
não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós
surgirão homens que hão de proferir
doutrinas perversas com intento de arrebatar
após si os discípulos. Vigiai!... " (At
20,28-30).
No passado, separaram-se ou foram excluídos
da Igreja Católica:
Os Arianos: que negavam a divindade de
Cristo. Foram condenados pelo 1° Concílio
Ecuménico de Nicéia em 325.
Os Macedonianos: que negavam a divindade do
Espírito Santo. Foram condenados pelo 2°
Concílio Ecumênico de Constantinopla em 381.
Os Nestorianos: que afirmavam Duas Pessoas
em Cristo: a Divina e a Humana, e negavam a
Maternidade Divina de Maria e o seu título
Theotokos (Mãe de Deus). Foram
condenados pelo 3° Concílio Ecumênico de
Éfeso em 431.
Os Eutiqueanos: que afirmavam em Cristo uma
só Pessoa e uma só Natureza - Monofisismo.
Foram condenados pelo 4° Concílio Ecumênico
de Calcedônia em 451.
Os Ortodoxos: estes separaram-se da Sé
Apostólica de Roma em 1054 pelo cisma de
Miguel Cerulário.
Mais recentemente: os Velhos Católicos em
1871. A Igreja Católica Apostólica
Brasileira (lCAB) do ex-bispo de Maura em
1946.
CONCLUSÃO
Quem aceita Jesus tem de aceitar a sua
Igreja e a ela obedecer. Objetivamente é um
grande pecado substituir a Igreja de Jesus
por igrejas forjadas e inventadas por falsos
doutores (cf. 2Pd 2,1-2). Igreja é artigo de
fé. Ela não é uma associação esportiva ou
uma firma comercial que cada qual pode
fundar de livre iniciativa.(5)
Fonte: extraído do
livro "Religião & Religiões" - de
Fernando dos Reis de Melo (Editora
Santuário)
Notas:
1 - Cf. Notificação da Congregação para a
Doutrina da Fé (11.3.1985).
2 - Cf. Doutrina Católica para Adultos,
Pe. D'Elboux, SJ.
3 - Cf. Declaração Mysterium Ecclesiae, de
24.6.1973.
4 - Cf. Vaticano II, LG, nn. 38.42. Cf.
Catecismo da Igreja Católica, n. 816.
5 - Cf. Diálogo Ecumênico, Ed. Lumen
Christi, p. 269 e Um só rebanho,
Jesus Hortal, Ed. Loyola, pp. 154-170.